Apesar de serem escassos os registos sobre a fundação da associação, testemunhos de dois elementos do corpo ativo inicial, João Pereira (Sarradeiro) e João Maria Gomes (Pronto), permitem situar o seu início em março de 1935.
A criação da corporação resultou da iniciativa de um grupo de homens determinados, entre os quais se destacam Emídio José Rodrigues, 1.º Comandante, e José Martins Barreiro, 2.º Comandante. Através de peditórios e saraus culturais, conseguiram concretizar este projeto.
Perante a falta de recursos financeiros, os fundadores recorreram à aquisição de material usado, tendo sido comprados, em Vila Nova de Gaia, uma bomba de braçal e um carro de material. Estes equipamentos chegaram à vila a 22 de dezembro, dia da tradicional Feira do Mel, onde foram recebidos com entusiasmo.
Bomba Braçal 1935
Primeira Bomba desta associação de marca Carl-Meter, adquirida na empresa Paredes Granja de Vila Nova de Gaia.
Compra com um valor de 14.850$00 valor este que também compreendia a primeira carreta de material.
CHEVROLET 1926
Primeiro veículo do Corpo Ativo, adquirido em estado de usado, teve um custo de 3.050$00 e com adaptações efetuadas, no valor de 3.500$00, na oficina de carruagens José Alves Franco em Ponte de Lima.
Para viabilizar estas aquisições, foi fundamental o donativo de mil escudos oferecido por D.ª Maria Cândida de Sá Malheiro Garcia de Morais, de Campos de Lima.
O primeiro equipamento ficou instalado nos fundos do Salão do Tribunal, que funcionaram como o primeiro quartel. A sede começou numa sala de um edifício nas Fontainhas, pertencente a D.ª Maria Azevedo, sendo mais tarde transferida para um edifício na Rua do Terreiro, cedido pela família Sampaio e Mello.
O alerta de incêndio era dado pelo toque de uma sineta, ainda existente no antigo edifício da Câmara Municipal, seguido pelos sinos da Igreja Matriz. Ao som deste aviso, toda a população acorria, numa altura em que o receio do fogo era maior devido à escassez de meios.
A população, especialmente mulheres e raparigas, colaborava ativamente, transportando água em recipientes para ajudar no combate às chamas e no abastecimento da bomba manual.
Apesar das dificuldades, em 1940 foi adquirida a primeira viatura motorizada, da marca Chevrolet, substituída em 1949 por outra da marca Studebaker, que acabaria por se degradar com o tempo.
Em 1960, foi comprada por 7.500$00 uma viatura marca PLYMOUTH, para ser adaptada a Ambulância por 80.000$00.
As precárias condições em que se encontrava instalado o Quartel, fizeram com que a direção viesse a alugar os baixos de um edifício, pertencente ao Senhor Manuel Rodrigues, para ai instalarem o que viria a ser o 2º Quartel da Corporação.
Porém, com o decorrer dos tempos esta solução não passaria de um simples remédio, já que, o mesmo era insuficiente para albergar as viaturas então existentes. E, com carências de toda a ordem assim se foi desenvolvendo a nossa Associação.
O sonho começa a ganhar forma no dia 2 de março desse já longínquo ano. Na sede da Assembleia Barquense, reúnem-se seis homens “para o fim de organizarem uma Associação de Bombeiros Voluntários nesta vila”. São eles Adriano Martins Vicente, João Evangelista Gonçalves Ferreira, Dr. Bernardo Maria Coelho Vieira Ribeiro, António de Azevedo Correia Vasques, José Martins Barreiros e Emídio José Rodrigues.
Este último é a alma mater do projeto. Foi ele quem tratou da convocatória desta “sessão inaugural” e quem abriu os trabalhos, expondo a “utilidade e urgência da criação de uma Associação de Bombeiros Voluntários nesta vila, o que há muitos anos constitui uma aspiração máxima de todo o público, por ser considerada não só de grande utilidade pública, como também um ornamento para a terra”.
Na sua intervenção inflamada, disse ainda Emídio José Rodrigues que esta Associação era “indispensável para Ponte da Barca”, tantas vezes ameaçada por incêndios, uma terra que deseja caminhar, como todas, na senda do progresso e da civilização. Acrescentou que a Associação de Bombeiros Voluntários se impunha verdadeiramente, por ser formada por soldados do bem, que a todos levam paz e tranquilidade.
E terminou pedindo a esta “Comissão Organizadora o seu maior esforço e carinho para, assim, se levar avante tão grande e importante melhoramento, que por certo receberia de toda a gente o melhor apoio, apreço e louvor”. Propôs mesmo que se desse “começo aos trabalhos de organização da Associação de Bombeiros Voluntários”, que fossem arrecadadas as importâncias ainda em posse das “Comissões Transatas” e que se conseguissem “da Excelentíssima Câmara, Companhias de Seguro e do público em geral, subsídios para a compra do material indispensável e construção de um prédio próprio”.
Passando à ação, os seis cavalheiros resolveram, de imediato, eleger entre eles uma Direção e um Conselho Fiscal que conduzissem, no futuro, as sessões. Realizado o escrutínio, para a Direção foram eleitos Adriano Martins Vicente (Presidente), Emídio José Rodrigues (Secretário) e António de Azevedo Correia Vasques (Tesoureiro).
Em relação ao Conselho Fiscal, o Dr. Bernardo Maria Coelho Vieira Ribeiro assumiu a presidência, completando-se a equipa com José Martins Barreiros (Secretário) e João Evangelista Gonçalves Ferreira (Vogal).
Empossados no momento, o Presidente anunciou que iria dar início “à elaboração dos Estatutos, em conformidade com a lei vigente”, e que só depois de aprovados “pelas autoridades competentes se procederia à organização do Corpo Ativo e à admissão dos sócios da Associação de Bombeiros Voluntários, segundo as suas categorias”.
Para já, garantiu que “iria dar conhecimento às autoridades locais, para permitirem os primeiros trabalhos e, ao mesmo tempo, oficiar à Excelentíssima Comissão Administrativa da Câmara Municipal, dando-lhe o devido conhecimento da criação desta altruísta Associação”.
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